quinta-feira

a falar é que a gente se entende # 1

- quero que me indique um livro de um autor português, que não seja deprimente, que me alegre, que seja leve e que me surpreenda, se é que ainda há alguma coisa que surpreenda
- autor português?
- sim e não quero lobo antunes, nem saramago (o lobo antunes é que devia ter ganho o nobel), nada de gente a destilar ódio. uma coisa alegre.
- que tal um livro de contos do mário de carvalho?
- olhe eu vou ser sincera... eu sou... eu não devia dizer o que sou mas digo, sou professora de português e estou farta de mários de carvalho a debitarem porcarias, percebe? quero uma coisa bem disposta
- tem aqui as reedições dos policiais do dennis mcshade, que era um pseudónimo do dinis machado
- é tipo o quê?
- é uma paródia ao policial noir, com um assassino...
- policial noir não sei o que é. é tipo agatha christie?
- não, é mais estilo americano... é uma paródia, o personagem principal é um assassino profissional que bebe leite por causa de uma úlcera.
- é como eu! acho que levo, deixe cá ver. tem bom aspecto... quem é que traduziu?
- ...
- "mão esquerda do diabo", este título, não sei, mas bom, o diabo existe, temos de aprender a viver com o bem e com o mal. levo!


15 comentários:

alexandre vaz disse...

é por pessoas assim que existem os gráficos, os maquilhadores de livros, se se pode dizer assim.

Darkness Made Flesh disse...

Gosto muito dessa Senhora.
Principalmente da parte do "estou farta de mários de carvalho a debitarem porcarias, percebe? quero uma coisa bem disposta"

a thing of beauty.

Miguel Caldas

Menina Limão disse...

nunca te queixes, isto é precioso. «é como eu!» - sim, a thing of beauty.

vasco disse...

que pena a penultima frase, estava perfeita.

isabel mendes ferreira disse...

e vim.....felizmente!

por indicação especial do Luis Guerra!

João Villalobos disse...

Tive uma professora muito parecida com essa. Ensinava semiótica na sem saber quem era o Boris Vian :)

Miguel Ferra Esteves disse...

Há casos em que compreendo a violência doméstica....

Ricardo disse...

Porra, ó Pedro Vieira, nem o Vasco Pulido Valente conseguiria ser tão sectário mesmo que tentasse.

disse...

Afinal, um livreiro vende livros ou goza com as clientes? Ai, se eu fosse o patrão da livraria...

jrd disse...

Era capaz de arriscar que a cliente é assinante das Seleções Reader`s Digest e já não tem mais "saco" para guardar calculadoras e agendas digitais electrónicas, além de livros com três quilos, só na capa.
Compreende-se pois a hesitação, porque nunca se sabe o que vem atrás de um livro. Ou à frente...

disse...

Há leitores eclécticos, que lêem por prazer, e se estão nas tintas para o que outros podem pensar deles. Eu também sou assinante das Selecções (e leitor desde miúdo) e não tenho que me envergonhar por as ler. E, já agora, leio o Pato Donald, de preferência dos antigos, antes das versões politicamente correctas e ecológicas. Leio aquilo me agrada e não aquilo que outros parecem entender que devo ler. E depois? Isso é sinal de alguma inferioridade intelectual ou cultural?

Samuel disse...

sim.

disse...

Ah, bom, assim fico esclarecido. Retiro-me humildemente, na minha inferioridade intelectual e cultural, cogitando embora: há certas pessoas tão cultas, tão inteligentes, com tantas certezas, que nem a cagar erram o chão. "Assim houvera eu de ser / Não fora não querer." Passar bem.
José Cipriano Catarino

fallorca disse...

Lá calha

Claudia Sousa Dias disse...

nada tenho contra o ecletismo. também li muito Pato DOnald e afins.

O que é triste é a apologia da ignorância e, principalmente, quando se faz uma crítica a desvalorizar uma obra literária. E, ao fazê-lo, se exiba a mesma ignorância mas de forma arrogante e cheia de pretensão.

Sobretudo se vinda de uma classe que tem a responsabilidade de educar o gosto pela leitura.


csd